terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Livros didáticos: sai Mona Lisa; entra Frida Kahlo

Os modelos de costume e de comportamento apresentados pela escola contribuem ativamente para o processo de construção de valores morais e éticos nos alunos.





Frida Kahlo

Desde o ano de 2014 os livros didáticos recomendados pelo MEC para o Ensino Fundamental incluem com mais frequência a pintora e militante comunista mexicana Frida Kahlo (1907-1954) entre as personalidades apresentadas aos alunos. 

Ela conviveu com doenças ao longo da vida. Aos seis anos, foi acometida de poliomielite, que lesionou uma de suas pernas. Aos 19, o veículo em que viajava chocou-se com um trem. Os ferimentos sofridos nesse acidente fizeram-na submeter-se a 35 cirurgias. Mesmo assim, não se livrou de sequelas e da convivência permanente com os coletes ortopédicos.

Casou-se aos 22 anos com o também pintor Diego Rivera com quem teve uma vida conjugal conturbada e de traições mútuas. Consta em relatos biográficos que ela se relacionava sexualmente também com mulheres, algumas delas casadas.  

Frida e o marido eram filiados ao Partido Comunista Mexicano. O casal hospedou em casa por quase dois anos o revolucionário comunista russo León Trótski, com quem ela acabou tendo um relacionamento amoroso.

Em vida, teve o trabalho artístico reconhecido pela crítica que enquadrava suas obras na escola surrealista. Frida, porém, discordava. Não retratava sonhos, dizia, mas a si mesma. Teve a oportunidade de participar de exposições em museus de Nova Iorque, Paris e Cidade do México. Nestas ocasiões, conheceu os principais pintores do seu tempo. 

Mais tarde, especialmente a partir dos anos 80, sua história de vida foi apropriada, ressignificada e transformada em símbolo pelo movimento feminista. Uma construção simbólica semelhante à operada pelo comunismo em Che Guevara. 


A subjetividade na escolha de temas e personalidades dos livros

Os livros didáticos públicos, normalmente, apresentam em suas páginas pessoas que se destacam no mundo artístico, cultural, político,  científico, religioso e esportivo. Atrelados aos nomes, acompanham suas biografias e estilos de vida. No entanto, a escolha dos personagens e a maneira como eles são apresentados atendem aos interesses ideológicos dos autores das obras ou cumprem determinações igualmente ideológicas da política educacional vigente.

Em função dos objetivos didáticos e pedagógicos dos livros escolares e sabendo da natureza subjetiva tanto para a escolha dos temas quanto das personalidades caberão sempre as perguntas:  porque essas pessoas e não outras; por que essa abordagem e não outra ou por que esse modelo de comportamento e estilo de vida e não outro.

Nos últimos anos os modelos clássicos e comedidos de comportamento no material didático vêm sendo substituídos por modelos que subvertem os costumes e as tradições. As discretas Mona Lisas perdem o lugar. 

Com a chegada da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), este processo deverá se acentuar em função da sua promessa de sociedade intercultural. Um estágio que não se alcança sem que antes sejam desconstruídos os alicerces das tradições e hegemonias culturais.

Obs.:
As imagens deste artigo pertencem a livros da coleção MEC/PNLD, triênio 2016/18, para a primeira fase do Ensino Fundamental, usados em escolas públicas, particulares e também confessionais.

Orley José da Silva, é professor em Goiânia, mestre em letras e linguística (UFG) e doutorando em ciências da religião (PUC Goiás).

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Um comentário:

  1. Ótimo texto!

    A esquerda tem feito de tudo para que suas aberrações sejam evidenciadas, mesmo que suas aberrações não tenham produzido NADA para a humanidade.

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