segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

A força das fundações educacionais bancárias e empresariais sobre as políticas do MEC


Faltam ONGs, Associações e Fundações realmente conservadoras, em quantidade e qualidade suficientes, dispostas a disputarem espaço e forças de poder na educação brasileira. 






Este é um modesto ensaio, ainda em fase de estruturação, de um pensamento que tenho procurado elaborar sobre o papel desempenhado pelas ONGs, colegiados, coletivos e associações ou fundações empresariais na educação nacional.

As entidades organizadas por membros da sociedade civil, classificadas como de interesse social e sem fins lucrativos, passaram a ocupar espaço no desenvolvimento de ações sociais no Brasil na década de 70, visando auxiliar e/ou cobrir falhas e deficiências estatais na prestação de serviços sociais à população.

Na Educação, a participação cada vez mais efetiva das fundações empresariais e dos colegiados deram-se, especialmente, a partir do governo Fernando Henrique Cardoso.

Essas fundações foram se fortalecendo ao longo dos anos e, de características mais ágeis e menos burocráticas que a máquina pública educacional, assumiram o controle do grosso das políticas educacionais.

Hoje, há formada uma rede consorciada de fundações que ultrapassa as fronteiras nacionais e cujos objetivos extrapolam os educacionais e avançam para os econômicos, culturais e políticos.

A estrutura educacional brasileira, sobretudo o MEC, tornou-se dependente das fundações e também de colegiados e coletivos, a exemplo dos Conselhos de Educação, Fóruns de Educação, e Sindicatos de secretários de educação.

As fundações, os colegiados e os coletivos que sempre alinham e compartilham suas pautas e interesses, construíram ao longo dos anos um MEC paralelo.

Essa divisão não se fez sentir até aqui porque o próprio MEC sempre se conformou com o papel de coadjuvante, endossador ou mero despachante desse compartilhamento na governança da educação.

A julgar pelos discursos da campanha eleitoral, é provável que o novo MEC saído das últimas eleições não abandone a parceria com fundações e ONGs, necessárias em algumas políticas. Por outro lado, não deixe de exigir o protagonismo e liberdade de decisão na relação com esses grupos. 

Este poderá ser um MEC mais próximo das aspirações educacionais correntes no Parlamento e mais sensível aos valores e anseios das famílias. 

Neste caso, ou seja, na possibilidade de uma diminuição da influência junto às políticas educacionais do MEC, é natural que as entidades fundacionais e ONGs, especialmente, busquem ampliar os laços com as principais secretarias municipais e estaduais de educação, escancarando uma ainda silenciosa e dissimulada disputa de poder pelo controle das políticas de ensino.

Um exemplo da força dos Sindicatos de secretários de educação e de algumas Fundações e ONGs ocorre neste momento de transição dos governos estaduais e distrital. Essas organizações estão conseguindo influenciar na nomeação de secretários de educação, além de superintendências, subsecretarias, gerências e chefias em diversos estados e no Distrito Federal. Em quase todos os casos, os nomeados são importados de outros estados. 

Esse dado corrobora a tese de que essas entidades atuam em rede, apropriam-se do discurso de eficiência na gestão educacional e contam com flexibilidade e força política capazes de estabelecer parcerias com políticos e partidos da direita e da esquerda.

As fundações, em especial, têm muitos atrativos para oferecer aos principais prefeitos e governadores. No cardápio: indicação de gestores treinados nas suas linhas políticas de formação; ofertas de modelos administrativos e educacionais maturados nas suas pranchetas; financiamento de projetos escolares diversos, dentre eles alfabetização, leitura e escrita; bancos de dados com diagnósticos próprios sobre a educação regional e nacional; encontro de professores para trocas de experiências educacionais de sucesso.

Uma das ações mais efetivas das fundações, especialmente, é o patrocínio de cursos, palestras, encontros, congressos e seminários para professores, políticos e técnicos com postos na estrutura das secretarias de educação. Muitos desses eventos, realizados em hotéis, resorts ou grandes universidades no Brasil e no estrangeiro, livres de custo para os convidados e o setor público.

As fundações sustentam milhares de professores e técnicos em educação, em universidades brasileiras e estrangeiras, com bolsas para mestrado e doutorado e também de desenvolvimento de projetos educacionais. 

Elas contam com o prestígio social e político além da credibilidade econômica e empresarial das suas figuras beneméritas para convencer prefeitos, prioritariamente das maiores cidades e capitais, mas especialmente governadores.

As ações visíveis dessas entidades contam com aprovação popular, da maioria dos profissionais da educação e também dos políticos. Quem delas discorda o faz por oposição ideológica, especialmente pelo alinhamento delas com as políticas educacionais e culturais do globalismo econômico e da ONU.

O discurso público dessas entidades, especialmente o beneficente, é tão bem construído socialmente que os argumentos dos seus críticos ideológicos são, invariavelmente, levados ao descrédito. Tidos como ilógicos ou inverossímeis. Mesmo entre conservadores. Inclusive, entre políticos experientes e reconhecidos como conservadores.


Por que há desconfiança quanto às intenções das ONGs e Fundações Educacionais?

As associações e fundações brasileiras espelham-se nas principais ONGs e fundações americanas e europeias do chamado Terceiro Setor. E costumam juntarem-se àquelas que se dedicam a construir modelos globais de educação.

Modelos estes em sintonia com os desenvolvidos pela ONU através de alguns de seus órgãos e agências como UNESCO, OMS e UNICEF, além do Banco Mundial.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, documento este inserido no contexto de formação de uma Nova Ordem Mundial, é um exemplo de direcionamento global das políticas educacionais que é seguido à risca pelas principais ONGs e fundações educacionais brasileiras.

Na busca pelo cidadão universal e a criação de uma nova ordem social, a escola é o lugar mais estratégico de racionalização desse processo. Para tanto, vale o controle e administração dos currículos escolares (a BNCC do Ensino Fundamental é um exemplo) em oposição aos nacionalismos e as culturas que não sejam hibridas ou imbricadas. Uma revolução silenciosa e eficiente, inspirada no marxismo cultural, que prepara um novo mundo para o futuro a partir da escola.


Há espaço para mudança de filosofia no trabalho das ONGs e Fundações Educacionais?

Um dos maiores desafios do novo MEC deverá ser a manutenção de parcerias com instituições dessa natureza, sem abrir mão da sua autonomia para estabelecer a política educacional do país.

Outro importante desafio poderá ser contar com a parceria de instituições que estejam dispostas a retornarem aos princípios da solidariedade para a solução dos graves problemas educacionais e a deixarem de lado o veio político e ideológico, especialmente o encampado pelo globalismo cultural e econômico.

Isto para evitar que um pequeno grupo de pessoas ligadas às finanças e ao mundo empresarial controlem a educação do povo, em substituição ao parlamento e às famílias.

Uma necessidade urgente é o surgimento de bem estruturadas ONGs e Fundações Educacionais comandadas por empresários verdadeiramente conservadores que estejam dispostos a investir na formação de inteligências conservadoras para aumentar, apurar e fundamentar teoricamente a massa crítica conservadora nacional, oferecendo bolsas de de pesquisa em pós-graduação e financiando projetos educacionais.

Outra necessidade igualmente urgente é a organização e a disseminação de cursos, palestras, seminários, conferências e congressos voltados para a educação, visando estruturar em conhecimento a massa crítica conservadora no país.

Para ambas as necessidades de resistência, seria fundamental a visão, união e a participação desprendida de homens de negócio, intelectuais, escolas, faculdades e universidades conservadoras.

Caso isto não ocorra, sem o equilíbrio das forças discursivas no campo educacional, em pouco tempo o vento conservador que varre a nação poderá ser interrompido pelo ativo e eficiente rolo compressor globalista representado por ONGs, Associações, Fundações, Coletivos e Colegiados que dominam e controlam a produção do conhecimento no país.

ALGUMAS PONDERAÇÕES PARA ESTE ENSAIO:

1ª. - Este trabalho não tem o objetivo de listar as ONGs, Associações ou Fundações que atuam na educação brasileira e sejam comprometidas com as pautas do globalismo econômico, Marxismo Cultural ou Nova Ordem Mundial.
No entanto, entende que esta é uma tarefa necessária para distingui-las das congêneres que não tenham essas ligações políticas e ideológicas.
O mundo da escola e da família precisa conhecer as vertentes políticas e ideológicas das entidades e/ou grupos que se dedicam ao desenvolvimento de projetos e políticas educacionais.  

2ª. - Este trabalho acredita que haja ONGs, Associações ou Fundações tão somente preocupadas em auxiliar o país no desenvolvimento dos seus processos educacionais. Organizações que não estejam dispostas a disputar o poder político/econômico da Educação, inclusive com o próprio Governo. E estas devem ser valorizadas.

3ª. - Atualmente há esforços, ações e projetos educacionais realizados por entidades dessa natureza perfeitamente adequados às necessidades e aos propósitos nacionais. Estas iniciativas devem ser identificadas e igualmente valorizadas. 


Orley José da Silva,
é professor em Goiânia, mestre em letras e linguística (UFG) e doutorando em ciências da religião (PUC Goiás).

 


6 comentários:

  1. Prof. Orley o seu artigo é um presente de Ano Novo! Precisa chegar às assessorias do Ministério da Educação e do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, URGENTE!
    #Tamojunto

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  2. Conte conosco, estaremos envolvidos

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  3. É uma boa discussão mesmo porque tánta gentes trabanhando ganhando com a educação e o encino brasileiro de baixa qualidade só os governos incompetente que consegue gastaram muito produzir pouco e de baixa qualidade.

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  4. É uma boa discussão mesmo porque tánta gentes trabanhando ganhando com a educação e o encino brasileiro de baixa qualidade só os governos incompetente que consegue gastaram muito produzir pouco e de baixa qualidade.

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  5. O que significa fundamentar a massa crítica conservadora? Pode explicar?

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